POLITIZAÇÃO
POPULAR
Na Parte 92 do meu blog “PT – Crítica e
Autocrítica”, no parágrafo final do longo texto, escrevi:
“É óbvio que o PT lançará um candidato
nas eleições de 2018, seja qual for. Votar nele significará a continuação de
tudo o que foi exposto acima. Não é uma boa ideia. O bom senso diz que é
preciso fortalecer os partidos de esquerda, como PCdoB, PCO, PSTU e PSOL, já em
2016. Esta é uma boa ideia. Todavia, é bom lembrar que qualquer um destes
quatro partidos, chegando no poder num futuro distante, fará o mesmo que fez o
PT, inevitavelmente. O que significa que a via político-eleitoral-democrática
não é a melhor solução. A grande ideia é a POLITIZAÇÃO DO POVO ao longo das
décadas seguintes, efetuada POR ELE MESMO, (não de cima para baixo), através de
suas inúmeras organizações como entidades estudantis, grupos anarquistas,
sindicatos livres, minorias, camponeses, associações, enfim, todo o conjunto
que forma a sua imensa base social, desligada completamente do poder público e
dos grupos econômicos de qualquer nível ou escala. Somente quando o povo
possuir uma razoável compreensão do seu poder natural e inerente, será possível
dar início à VERDADEIRA REVOLUÇÃO. Se esta politização não for feita, se a
massa permanecer na sua habitual ignorância, na sua eterna inércia, se nada for
feito para tentar despertá-la de seu torpor, o jogo tenderá SEMPRE para o lado das
elites que detém o poder político, econômico, jurídico, eleitoral, midiático,
policial e repressor. A única salvação para o povo é ELE MESMO. Esta é a visão
mais avançada da esquerda mundial.”
Esta politização, seja de que forma for,
até mesmo de cima para baixo, é IMPRESCINDÍVEL. Ela não depende da existência
de partidos de esquerda e não obsta os seus desideratos políticos. Nos últimos
anos o PT, no Governo Federal, recusou-se terminantemente até mesmo a considerar
a ideia de tal ação, desperdiçando uma oportunidade ÚNICA e VALIOSÍSSIMA. Os
erros do Partido, a meu ver e a grosso modo, orçam pelos 90%, contra 10% de
acertos. Diante desta situação trágica que ora vivemos, com a falência total do
PT, assassino da esquerda nacional, perante o retorno das feras sedentas de
sangue da extrema-direita ao poder, dispostas a levar o país ao mais profundo
abismo sócio-político-econômico, um trabalho de base junto à população é
INADIÁVEL.
A minha formação escolar é o ensino médio
incompleto. Não tenho curso superior. Nem sequer li qualquer obra de escritores
marxistas e anarquistas. Nunca fui ativista e militante político pra valer.
Tenho muitas limitações materiais, intelectuais e pessoais. Não tenho contato
com estudantes, sindicatos, operários, associações, ou seja, vivo à margem da
sociedade. O que percebo e capto é fruto exclusivo de minhas lides diárias em
frente à tela do computador. Enfim, não possuo condições de me engajar em
plenitude neste projeto. Limito-me apenas a registrar as ideias que me ocorrem,
e já estou fazendo DEMAIS, levando em conta que indivíduos muito mais
preparados do que eu estão DE BRAÇOS CRUZADOS.
A VANGUARDA desta POLITIZAÇÃO tem de
estar à cargo da juventude atual. Temos a UNE – União Nacional dos Estudantes.
Temos a UJS – União da Juventude Socialista. Temos a UBES – União Brasileira
dos Estudantes Secundaristas. Temos o movimento Levante Popular da Juventude.
Temos o CRB – Curso de Realidade Brasileira, o qual se iniciou na UFJF –
Universidade Federal de Juiz de Fora, cidade onde residi por 32 anos. Este
Curso parece ser um embrião da POLITIZAÇÃO a que me refiro. Temos o
extraordinário renascimento de inúmeros grupos e federações de anarquistas no
Brasil, com o predomínio de gente jovem. E temos também os jovens de favela e
periferia com seus diversificados trabalhos comunitários e seu rap-funk. A
aglutinação de todos estes setores deve se dar a nível nacional e completamente
independente de partidos políticos e de grandes interesses financeiros.
Outros segmentos devem se associar aos
jovens nesta tarefa de POLITIZAÇÃO: sindicatos livres e independentes, grupos
feministas, movimento negro, minorias sexuais, jornalistas livres e todos os
tipos de ONGs e associações comunitárias atuantes no universo restrito dos
municípios. Será preciso usar de modo intenso os meios alternativos de
comunicação no campo virtual: redes sociais, blogosfera, etc. Grandes entidades
a nível nacional, como a Frente Brasil Popular, devem ser agregadas, porém com
extremo cuidado para que não haja cooptação. Qualquer elemento de apoio e de
base que possa auxiliar neste processo é bem vindo, desde que a finalidade
última não seja deturpada ou conspurcada.
Eu não consigo vislumbrar, pelo menos no
momento, nada mais além dessas ideias vagas e imprecisas. Algumas pessoas
precisam COMEÇAR A AGIR. Pelo menos a elaborar uma estratégia exequível e
dentro dos limites do bom senso. A ultra-direita, que voltou a colocar as
garras no governo deste lamentável país, não prestará muita atenção nesta ação
POLITIZADORA. Ela não é o problema. NÓS É QUE SOMOS O PROBLEMA.
Está dado o recado.
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