Alguns anos atrás, um dia fui visitar um
grande amigo, o qual havia retornado de uma curta temporada na praia. No meio
da conversa, ele começou a falar de um restaurante italiano caro que havia conhecido,
com toalhas de seda, talheres de prata, taças de cristal, ostras como entrada,
comida muito fina, com um ar de embevecimento que me deixou num silêncio
perplexo, posto que se tratava de um cara
de esquerda. Ele poderia ter guardado para si mesmo esta experiência “transcendente”,
ocultando de mim a sua face BURGUESA. Mesmo porque, ele sabia que eu era VISCERALMENTE
contrário a tudo o que as pratas e os cristais representam. Minutos depois me
despedi dele e fiquei SEIS MESES sem procurá-lo, por considerar aquilo quase
uma agressão. Pois é EXATAMENTE ISTO que a esmagadora maioria dos esquerdistas
são, lá no fundilho de suas almas: BONS BURGUESES!... Toda esta história de
engajamento político com as causas populares é apenas um jogo de cena, uma
auto-ilusão consoladora, pois lá nos bastidores de suas personas existe um
Babbitt conservador e reacionário. São RAROS os autênticos REVOLUCIONÁRIOS!...
Lula e toda a cúpula petista está MUITO LONGE destes. Assim como quase todo o
restante desta cambada que se declara esquerdista. E não é somente a ausência
de atração secreta pelos privilégios da elite que faz os verdadeiros lutadores,
mas um constante posicionamento nas trincheiras, longe das retaguardas. É um
espírito de sacrifício pessoal a toda prova. É a coragem, o heroísmo e a determinação
a todo custo. E uma FIDELIDADE ABSOLUTA a todo o ideário sócio-político de
vanguarda. Ao sair da casa do amigo, mentalmente eu puxei aquela toalha da
mesa, quebrei pratos e taças, derrubei o repasto de luxo no chão e coloquei
fogo no local. Num dos filmes de Monty Python, um freguês entra num restaurante
para jantar, com um volume descomunal de barriga e gordura, para mais de dois
metros de largura, até que por fim ele explode. É o que o capitalismo fará:
EXPLODIRÁ TODOS NÓS. Enquanto o fim não chega, continuemos a admirar
secretamente a “dolce vita” das elites, enquanto fingimos estar do lado dos “fracos
e oprimidos”. Que diferença faz? VAMOS TODOS MORRER, MESMO!!!...

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